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Dramaturgia dramática em foco

Os cinco ou seis leitores que comentam aqui nesse blogger são tão legais que quase me fazem crer que escrevo razoavelmente. Quer dizer, supondo uma escala de degradação, há os escritores que escrevem bem, os que escrevem mais ou menos, os que escrevem mal, os que escrevem mediocremente, e eu. A diferença entre eles está na capacidade de atrair leitores. Eis eu novamente despontando na escala do medíocre para o sofrível. E tal efeito me anima demais, vocês não calculam quanto. Saindo um pouco da alegria, do tudo azul, hoje me animei pra comentar de leve a mais recente novela da Glória Perez, Caminho das Índias. Eu não sou a Patrícia Kogut e ponto. Portanto, antes de qualquer comentário, devo esclarecer que adoro as produções audiovisuais da televisão brasileira, sobretudo pela parte que me emprega. Apesar de aqui fazer troça, só faço isso porque sou das taradas que não tendo mais o que fazer me atribuo a função “non grata” de colocar defeito. Aliás, muitos equivocados costumam denominar...

Segue seco

Todo blogger, em algum momento ou em sua plena existência, apresenta um conteúdo de ordem excessivamente pessoal. E é até compreensível, já que nasceu com a idéia de ser uma espécie de diário. No meu caso eu evito o quanto posso enfadar meus quatro ou cinco leitores com as miudezas do meu cotidiano. Só que hoje não irei poupá-los de algo que sempre tive uma relação não muito amistosa, mas que na atualidade anda tomando uma proporção insuportável: as regras. Talvez Weber não tenha dado a devida ênfase à instituição da regras, nesses termos, quando escreveu “A ética Protestante e o Espírito do Capitalismo”. Contudo, neste texto já é muito flagrante que o que Weber chama de Capitalismo, numa concepção de uma ordem burocrática, não está dissociado da instituição das regras, de um metodismo. A partir de então nada tem uma existência per si, se não obedece a algum caráter lógico, processual e regulado. Pessoalmente tomo tal como o começo do fim. Deixando muito de lado qualquer conceito rigid...

A cultura da intrusão

Se há algo que me incomoda, definitivamente, é o intrometimento. Por mais que se diga que nas grandes metrópoles as pessoas são impessoais e individuais, tudo isso não passa de conversa. O intrometimento e controle não são tão rigorosos quanto em quaisquer cidades pequenas, porém nas metrópoles são muitíssimo sofisticado, camuflado. Duvida? Você precisa comprar um sutiã, peça bem íntima. No caso você deseja uma peça bem ousada, pra uma noite “caliente”. Você vai até uma loja de “moda íntima” (eu chamaria de loja de calcinhas, simplesmente. Mas aprendi em Friburgo que há um termo elegante pra coisa), circula e a atendente vem cheia de interesse. Esse interesse deveria ser o de vender, mas logo ela demonstra que esse é secundário. Ela pergunta se pode ajudar e você explica que quer um sutiã, de renda, vermelho. A primeira intromissão é perguntar pra quem é. De fato não interessa, já que você pode ter em mente o tamanho e isso basta. Tudo bem, você diz que é pra você. A segunda é pergunt...

O mundo não está a salvo dos heróis

Você pode se sentir fraco, desamparado, desprotegido, a mercê da própria sorte no caos urbano. Todavia, se for mais atencioso e aguçar o olhar, irá perceber que estamos rodeados de super-heróis. Eles estão por todo parte, só não ouse precisar da ajuda deles. Eles são meramente figurativos, com ênfase na idéia de figuras. As crianças não têm nenhuma reserva em vestir a roupa de super-heróis e ganhar o mundo, na crença nem tão vã de que estão prestando serviços à humanidade. Nos shoppings, nos restaurantes, nas praças, na praia, nos ônibus, nas calçadas, estão as crianças fantasiadas dos pés à cabeça, ou até mais timidamente com quaisquer acessórios, gritando ou insinuando ao que vieram, abusando do ideal de super-heróis. Eu poderia enumerar os super-heróis que venho me deparando, contudo, seria uma lista extensa demais para esse pobre blogger. Ficarei com os mais freqüentes, campeões de “homenagens”. Encabeça a lista o homem-aranha. Na seqüência, tem o super-homem e o Batman, brigando a...

A Biologia Social

Vamos admitir, o tédio de domingo acomete a todos. E não creio que alguém consiga se livrar de no mínimo uns minutos diante da televisão. O famigerado dia de descanso aborrece um bocado. Faustão, Silvio Santos, Gugu, futebol e Fantástico. Um desses, com sorte, você vê. Com azar vê todos. Então, eu com sorte domingo vi o fantástico. O escritor Dr . Dráuzio Varela fazia a locução de uma daquelas manjadíssimas séries da BBC sobre a vida humana. Nada mais a calhar do que a locução de um médico, a fim de transmitir um mínimo de credibilidade àquelas imagens. Até então, tudo coerente. Não estou acompanhando a série regularmente, só sei que nesse domingo Dr. Dráuzio Carandiru falava sobre a fase adulta para a velhice, iniciando por volta dos 40 anos. Enfatizou logo a desgraça que o sol faz à pele, que as células vão ficando cansadas e que há uma desaceleração do organismo. Aliás, ele disse que por volta dos 40 o ser humano já produziu em média uns 40 quilos de resíduos de células mortas. Difí...

A segunda tá com gostinho de primeira

Essa segunda-feira é atípica. Não um pouco diferente. É diferente mesmo. Ainda estou pela manhã, contudo, acordei com uma disposição incrível. Eram 5h da manhã quando acordei sorrindo. Deixa estar que fui dormir às 2h. Pensei, não é possível. Olhei pela janela e uma luminosidade excessiva feriu-me os olhos. Fechei uns segundos mais, teimosamente, tentei olhar de novo para a rua. Realmente, nada de trânsito. O sol era o de umas 11h, mas ainda eram cinco. E que disposição! Fosse dia de maratona eu correria mesmo sem estar inscrita. Rodei pela sala, pensei em tomar café da manhã. Um enjôo me dissuadiu. Pesei em caminhar na praia. Rapidamente já ia me direcionando pra trocar de roupa, colocar a minha fantasia de atleta, mas eis que desisti. Pensei que saindo naquela hora, na ida ou na volta da caminhada, iria encontrar um batalhão de zumbis indo para o trabalho, ou de velhotes relax indo para a ginástica. Não vinha muito a calhar, pois mais que habitualmente estou num momento sociopata, se...

Como lidar com isso ou aquilo?

Gente, eu estou com medo. Sim, muito medo. Meu temor é que a lida faça com que eu abandone hábitos que sempre julguei de extrema relevância. Calma, hei de explicar o horror que assombra meus pensamentos. O intuito é o de que meu desabafo, ou a palavra de vocês a respeito dele, me traga algum alento. Ando trabalhando bastante. O trabalho em si é bom, contudo, prima pela exaustão. Ou seja, se não fosse pela obrigação e exaustão seria até um lazer, mas é mesmo trabalho. O atenuante do ceder as horas livres para alguma atividade produtiva é o pagamento. Esse sim, muito me encanta. Porém, é substimar o trabalho, no meu caso, acreditar que apenas cedo minhas horas livres. Cedo junto ao meu tempo minha mente, minha criatividade, minhas forças, minha liberdade de escolha. Me volto à demanda do trabalho e praticamente anulo as coisas que com o tempo todo para mim costumo fazer. Entre estas coisas estão a audiência, a leitura e a escrita. Na atividade profissional que eu desenvolvo preciso assis...