A parte dos Anjos
Não importa o título, não importa o ano, os filmes de Ken Loach são sempre uma aula de sociologia. O cerne de seus trabalhos é dar visibilidade para os elementos que fragmentam ou conferem coesão para a sociedade. Opera as tensões da conjuntura social, econômica e cultural, valendo-se do drama do homem ordinário, sujeito que produz a história do seu tempo em ações cotidianas. Que a atualidade pode ser resumida a crise não há originalidade. Que há uma tendência mundial em transformar relações humanas em oportunidades para empreender lucro, tampouco. O quê então pode ser expresso sobre a atualidade, sem alimentar a falácia neoliberal? As qualidades humanas para reagir e superar condições adversas. Indo para o filme, em um tribunal alguns indivíduos são julgados. São pessoas comuns, nem boas nem ruins, que por embriaguez ou mera revolta pela condição de excluídos cometeram delitos. Nenhum deles é exatamente nocivo à sociedade. Enfim, são apenados com a prestação d...