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Mostrando postagens de Junho, 2011

Sinto que sinto

Todos os dias sou tomada por emoções. Digo tomada porque é algo que está completamente fora do meu controle. Acordo de um jeito, o dia transcorre de outro, e a noite eu nem sei o que é de mim.

Se fosse possível estabelecer um padrão, eu diria que acordo bem, ao longo do dia a minha autonomia é invejável, mas a noite é a noite, fria e escura. Claro, nos finais de semana a lógica muda um bocado, pois acordo decrépita mas a noite fico iluminada!

Fazendo uma analogia clichê, ando numa montanha russa. A subida é lenta e misteriosa, e a descida é violenta, rápida, vertiginosa. Entretanto, o que parece um descontrole absurdo é um bocado louvável. Afinal, melhor me sentir nessa montanha russa do que não sentir nada. O sentir qualquer coisa é se abrir para tudo, e o sentir nada é sacal, quando não fatal.

Mito e Rito de um amor

Como “antropóloga” só me culpo: porque eu não pensei nisso? Claro, o rito. Me conformei com a liminaridade. Mas é hora de encerrar, de enterrar.

A morte exalou seus oDORES por meses. Aquela decrepitude ao alcance dos sentidos era um alento para sentir qualquer coisa. E a sinestesia forçada se estimulava pelo hiato entre o que a memória cria e o que a realidade proporciona. Uma armadilha, uma trapaça, zombaria da própria mente.

Já não dou conta se foram muitos ou poucos dias. Só sei que foram, apesar de todas as resistências. E chega a ser curioso como não nos poupamos de viver, mas nos acovardamos frente a morte, ignorando o quanto as coisas andam de mãos dadas, do quão são complementares, cíclicas. E o fim é uma palavra feliz para a circunstância, seja por significar conclusão, seja por significar meta.

Quero aos poucos resignificar os lugares, as pessoas, os eventos, as cores, os sabores, os sons, e enfim, estar apta a novos sentidos.

Aqui "JAZ z" um amor!

"Meia-noite em Paris": qualquer coisa, da hora, alhures

O que de melhor poderia ocorrer para um sujeito que vive do passado do que ir para o passado? E mais, o que melhor poderia ocorrer a um sujeito que vive imerso na cultura do que ir parar no miolo de sua produção inspiradora? E assim surge o roteiro de “Meia noite em Paris”.

Na embriaguês ansiosa de mudar de vida, sob as luzes da cidade da cultura e da arte, Gil encontra-se com suas ilusões. Os protagonistas de suas alucinações são escritores, músicos e pintores, emblemáticos de uma época que Gil insiste em "reviver".

Neste incrível devaneio Gil tem a companhia do casal Zelda e Scott Fitzgerald, conversa com Ernest Hemingway, observa Picasso e se refere a Braque. Gertrud Stein aceita ler seu livro e lhe apresentar críticas. E como se não bastasse, desabafa ilusões amorosas com o trio Dali, Buñel e Man Ray.

Quando sai da ilusão Gil depara-se com a noiva, a qual, excluindo-se a beleza, em nada lhe anima. É tido como um tolo, um sujeito com dificuldade em lidar com a realidade e q…

O trânsito de Cão

A lida acadêmica fez inflar em mim o entusiasmo, ou curiosidade, com o urbano. O mundo é urbano, pois é sim na cidade onde tudo acontece. Um acontecimento é algo que ocorre na realidade e é expresso pelo homem através da linguagem. Algum autor já disse que se uma árvore cai na floresta e ninguém vê para contar, logo, é como se a árvore não tivesse caído, não houve o acontecimento. Dos infinitos acontecimentos que ocorrem simultaneamente no urbano vou discorrer sobre a inusitada relação entre o trânsito e os cães.

Desde a tenra idade recebemos informações sobre o cuidado que devemos ter nas ruas, sobretudo lições voltadas para o trânsito. As cores são ludicamente trabalhadas nos imperativos pare, atenção e siga, oras como pedestres, oras como motoristas. Musiquinhas são cantadas sarcasticamente advertindo que os postes não são de borracha. E a buzina é o som para que o outro preste atenção e/ou saia da frente.
Todo o adestramento dispensado desde a infância parece insuficiente quando nos…