Construção do Urbano / Paisagem Simbólica

Essa semana fui seduzida por uma palestra, do prof. Nitzan Shoshan, na FGV. Antes de qualquer coisa, esclareço que o estímulo às palestras, encontros, seminários ou debates é sempre uma atividade louvável. Enfim, o título da palestra era excelente. O resumo interessante. Mas o conteúdo, pra variar, bastante aquém do esperado.

Nitzan Shoshan é Profesor-Investigador do Centro de Estudos Sociológicos do Colegio de Mexico, e doutor em antropologia pela Universidade de Chicago. Apresentou um trabalho com o título de “Visibilidades Urbanas e paisagens simbólicas em Berlim".
Só para situar, enquanto metrópole Berlim é como uma disneylândia para as ciências sociais. Há questões políticas, culturais, arquitetônicas, sociais e estéticas para o quê quer que se observe.

Com o legado da Escola de Chicago, na qual o comentado autor se doutorou, podemos logo arriscar a concepção de estudo baseados no tripé biologia, psicologia e ética. Além da influência decisiva do interacionismo simbólico, que reza que as significações sociais devem ser consideradas como produzidas pelas atividades interativas dos agentes. De posse desses elementos já era possível compor algumas idéias do que seria apresentado.

O autor iniciou sua apresentação enfatizando que desde a queda do muro de Berlim há na Alemanha um forte movimento de direita. E em virtude da força de tais movimentos é flagrante a heterogeneidade ideológica, sendo esta um estopim para conflitos quando se trata de aproveitar o espaço urbano. O interesse do autor é justamente o de explorar as interações estéticas na metrópole.

Berlim tornou-se um espaço descentralizado, com abertura para temporalidades e sentidos diversos, com significações locais coexistindo com as globais. E os lugares são esteticamente aproveitados para propagar utopias, informações e valores.
Entram em cena estratégias de governança urbana, para falar e silenciar, na aliança entre o pessoal e o coletivo, entre o público e o privado. É uma economia simbólica que se apresenta como economia política na perspectiva de reinvenção da cidade como ambiente construído.

A visibilidade torna-se uma tática de campanha, uma ideologia disseminada que atua para além das meras modalidades de exibição e ocultação. O autor aborda a arquitetura da cidade, as roupas, acessórios e penteados ostentados pelas pessoas, tatuagens, e até mesmo tipos de fontes, cores, símbolos e demais conteúdos de formação de textos, sejam impressos em papéis ou gravados, como por exemplo em lápides de cemitério ou placas. O autor observou ainda que na internet essas expressões também são veiculadas disseminando alinhamentos políticos. Tais recursos de expressão de territorialidades não raro apresentam algum potencial violento, enfatizando sobretudo concepções da extrema direita.

Embora as colocações do citado palestrante sejam pertinentes, não alcancei nada muito além da observação de um acadêmico raso. E por tal observação induzo duas possibilidades. Na primeira, razoável, o palestrante tentou simplificar sua apresentação, poupando os presentes de citações de autores ou teorias consagradas. Na segunda, nada positiva, o trabalho trata-se mesmo de uma descrição ampla, porém superficial, sensível à expressão política e cultural. Tudo válido, desde que não nos fiemos demais no título que promete visibilidade urbana e paisagem simbólica. A construção do urbano e da paisagem simbólica prescindem, alhures, maior profundidade e sofisticação teórica.

Comentários

Berlin e Moscou encontram-se entre os meus desejos e curiosidades acadêmicas.
Ambas, por sua hitoricidade política e cultural.
De qualquer forma a temática trabalhada por Nitzan Shoshan suscitou em mim curiosidade. No entanto, é demasiadamente difícil encontrar textos e livros do mesmo por aqui. O que acho um absurdo!!!
que bom que nãoi fui na palestra. ahahah

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