Turbilhão temático: Quero ver quem encara

O blogger não acabou, não fechou, não morreu.Talvez a empolgação de escrever minhas insanidades tenha dado uma desacelerada vertiginosa. Talvez o empenho dos quatro assíduos leitores não esteja sendo levado muito em consideração enquanto estímulo. Posso pensar em uma gama de motivos, uns mais uns menos plausíveis, para justificar o abandono, a desatualização desse espaço. Só o que eu não posso é dizer que não atualizo por falta de assunto.

São tantos e diversos assuntos para escrever que, tento que escolher entre uns e outros eu escolho nenhum. É uma escolha difícil, não subestimem. Pensei em escrever um conto ou crônica tendo como pano de fundo a doação de órgãos. Cheguei a escrever, mas ao meu ver ele ficou pendendo ora para o clichê, ora para a falta de tato em lidar com assunto tão sério e delicado. Meus eufemismos, deboches e grosserias não se alinham muito a algumas causas específicas. Um dia tentarei ajustar esse conto.

Por falar em falta de tato, a violência é sempre um tema difícil de lidar. Mais difícil de controlar do que sobre ela escrever. O filme “Tropa de Elite” condensa muito bem a inadequação do “uso” do monopólio da violência do estado. Digo de modo legítimo, pois esse monopólio ta mais para oligopólio. Para abrir uma franquia basta a compra de um arsenal bélico e a sua atuação no mercado de contravenção está garantida. Mensalmente há que se pagar a taxa de franquia, o arrego. Investimento com retorno garantido, é o top 10 dos mais lucrativos investimentos segundo a revista “Pequenas Empresas Grandes Negócios”.

Falando em negócios, valendo-me do ensejo do filme, a pirataria é um outro ramo excelente de atuação. O filme foi tão bem distribuído pelos camelôs que quando entrou em cartaz já era sucesso absoluto. Muitos duvidavam até da rentabilidade da bilheteria, já que o filme tinha sido visto e comentado antes de estar nas telonas.

O debate tem dois ramos. O primeiro é a acessibilidade dos produtos culturais, o segundo é a pirataria. Justo quando há uma movimentação de democratização de um bem cultural, as classes que se valem da comercialização, isso inclui a arrecadação dos imposto sobre mercadorias, se mostram indignados com o crescimento da ilegalidade. Deixemos a consciência falar mais alto do que o desejo de perpetuar a aviltante estratificação social no Brasil. Os que combatem a pirataria alegam que ela tira o emprego de muitas pessoas, e não pagam impostos. Ora essa, em resposta ao desemprego, certamente há quem pirateie e quem comercialize, e garanto que não são poucos os que fazem isso. Mas, devo admitir que dentro da ilegalidade. Mas se os empregos informais, na base do trabalhe o máximo que consegue e pago o mínimo possível, é bem melhor ser ilegal, trabalhar muito e ser explorado por si, a ouvir reclamações intensas dos patrões que sugam tudo do trabalhador e sempre se dizem “pobres-coitados”, que pagam em dia muitos impostos e que fazem de tudo pelo bem estar do trabalhador. Sobre a pirataria, o que eu tenho a dizer é que é pouca! Eu quero é mais. Eu sou tão muquirana que nem produto pirata eu compro. Eu pego emprestado com quem comprou.

A arrecadação dos impostos é outro tema. O estado já pode ser considerado mínimo, a economia neo-liberal assola a humanidade, derrota os estados e esmaga a população. Na vertente do trabalho vemos cada vez mais distante o saudoso corporativismo e nos resta o legislado, quando muito. É esse mesmo estado que zela pelo bem estar dos seus cidadãos que vota a permanência da injustificável CPMF. Não há nesse mundo quem consiga me convencer que a cobrança da CPMF deve permanecer. Vou morrer pensando e amargando essa facada que os cofres públicos dão no cidadão. Ela não existiu desde sempre, portanto, se era pra ser temporária, o tempo esgotou-se. Se não há como governar um país sem ela, entregue o país ao dará e assuma a incompetência inflada pela corrupção e vício dos governantes. Sobre essa assunto indignação é uma palavra que pra mim não basta.

Pra tentar finalizar, sem ser conclusiva, exata, ordenada ou correta, não consigo ignorar a babaquice do Luciano Huck de se valer dos meios de comunicação para mostrar-se inconformado com a violência por ter tido um rolex roubado. Para não dar ao sujeito mais crédito do que ele merece, digamos que o rolex roubado é o preço, muito barato por sinal, por expor a miséria alheia, fazer notoriedade com a necessidade de uma população tão carente. É sempre bom lembrar que são necessários muitos miseráveis para fazer um rico. E que ser rico, no Brasil, não é sinônimo de mérito ou empenho. Não há livre competição, não há igualdade de oportunidades, não há enaltecimento das capacidades individuais. O que há é a perpetuação das elites, e enrijecimento do quadro social, modelo estamental, quase castas.

Escrevo tudo isso bem confortavelmente. De destacável nesse país é a liberdade de expressão. Falo do alto do meu absoluto descomprometimento político. Não sou comunista, socialista ou anarquista. Adoro o capitalismo, compreendendo que ele nunca vai ser bom para todos, mas há que ser razoável para a maioria. Nem de longe é o quadro que anda sendo pintado. Não tenho raiva dos ricos! Sabe-se lá o que é dar um helicóptero para o filho e não poder circular em paz com um rolex!? Nem tenho pena dos pobres a ponto de tomar partido cegamente. O que abomino é a resignação na crença de que as coisas são assim mesmo. Com vontade, pobres e ricos podem ser menos vítimas passivas de um sistema e mais senhores dos rumos de suas vidas.

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